Sobre o Dia das Mulheres

Março 09, 2017 4 Comentários

Sobre o Dia das Mulheres

Ontem foi Dia das Mulheres. Tem tanta coisa na minha cabeça a esse respeito que nem soube o que escrever ontem. Nos 3 anos e meio em que morei na Índia, apesar de no geral ter tido uma vida relativamente tranquila em relação a assédio, meus últimos meses no país foram marcados por 3 episódios de assédio, todos a menos de 500m da minha casa, dois deles em plena luz do dia, no meio da rua pra todo mundo ver.

Ser mulher exige coragem?

Quando eu fui morar na Índia, houvi de muita gente que eu era ou corajosa ou louca, me perguntavam se não tinha medo de ser estuprada (como se no Brasil eu não tivesse!). Assim que fui, muitas mulheres começaram a me perguntar se era seguro ir para lá sozinha. Eu mesma já havia perguntado a mesma coisa a outras mulheres que haviam morado por lá.

Em outubro de 2013, estava morando na Índia havia 3 meses. De repente, vim ao Brasil a trabalho pela empresa. Meu vôo saiu de Delhi de madrugada, parando em Doha, no Catar, e chegando em São Paulo no mesmo dia. Já tinha sido marcada pela realidade das mulheres na Índia, onde há campanhas para salvarem bebês meninas, pois muitas são mortas após o parto, já que o ultrassom para identificação de gênero é proibido por lei. Na Índia, não se fala sobre menstruação, apenas 12% das mulheres utilizam absorventes menstruais e sexo é um imenso tabu.

Naquela época, havia sido seguida na rua e assediada por um corretor de imóveis, que confundiu eu e minhas amigas por prostitutas, nos oferecendo aluguel grátis em troca de "festas" aos sábados à noite. Aprendi que nascer mulher era sinônimo de fardo financeiro e emocional, pois os pais da noiva devem pagar o casamento e o dote à família do noivo, além de "perderem" a filha para eles, pois após o casamento a mulher passa a morar com o marido, cuidar da casa e dos pais dele. Além disso, 70% das mulheres não trabalham, dependendo das finanças do marido, e mesmo para tirar um passaporte a mulher precisa de uma autorização formal do marido ou do pai.

As diferentes realidades das mulheres ao redor do mundo

Enfim, ao descer em Doha para pegar o segundo vôo, havia um grupo de cerca de 5 mulheres na minha frente, todas cobertas dos pés à cabeça, mostrando apenas os olhos, uma delas sendo empurrada por um homem na fila.

No final dessa noite, ao chegar em São Paulo, resolvi ir a uma balada com minhas amigas, como costumávamos fazer. Cheguei lá e vi muitas mulheres de mini saia, roupas brilhantes, maquiagem feita, se divertido e chegando em casa no final da madrugada. 

Foi muito choque de realidade para uma pessoa só. Em certo ponto da noite comecei a chorar, chorar muito, de soluçar, de não conseguir falar o que estava acontecendo.

Ser mulher no Brasil não é exatamente fácil. Convivemos com o constante machismo, somos constantemente assediadas e ainda precisamos ter vagões específicos no metrô. Lutamos por direitos de minorias, apesar de haver mais mulheres do que homens em São Paulo e no Brasil. Mas quando você vai para um país onde a liberdade e direitos das mulheres são mais restritos do que aqui, de repente aqui parece fácil.

estrangeira com mulher tribal indiana vestindo vestes tipicas da regiao

Eu com uma das mulheres das tribos locais que fazem bordados manuais

No trabalho que fazemos na Happee, a diferente realidade das mulheres também já deu as caras. As mulheres que cuidam das crianças na ONG são todas soropositivas, e foram acolhidas lá após terem sido rejeitadas por suas famílias e comunidades. Nos vilarejos onde vamos comprar bordados, muitas mulheres só podem tirar fotos com a autorização de um homem, mesmo se for o filho. A maioria é analfabeta e encontra no bordado um meio de vida, de passarem o tempo com as outras mulheres da vila e, recentemente, de ganhar dinheiro com isso (até algumas décadas atrás, elas bordavam apenas para uso próprio).

Os direitos que conquistamos...ou não

Essa semana assisti o filme As Sufragistas, e percebi que fazem menos de 100 anos que as mulheres conquistaram o direito ao voto, e em alguns países esse direito ainda inexiste. Fiquei me perguntando o que as sufragistas diriam se vissem que 100 anos depois da luta delas, ainda há muito há ser conquistado pelas mulheres.

poster do filme As Sufragistas

A grande questão sobre o feminismo e a igualdade de gênero, é que não envolve apenas educar mulheres a serem fortes e lutarem pelos seus direitos e etc. Uma grande parcela envolve educar os homens de que mulheres não são mais nem menos. Afinal, se todo homem tratasse mulheres com respeito, não precisaríamos dessa discussão toda, não é mesmo?

Se o seu maior sonho envolvesse uma dose de risco pelo simples fato de você ser mulher, o que você faria? Você desistiria do seu sonho? Eu não. E não faria isso pelo simples motivo de que desistir e me conformar com o mundo como ele é significa que não haveria mais progresso para as mulheres. Ficaríamos todas em casa sem fazer nada. Mas se você toma esse risco, você está dando a si mesma e a todas as outras mulheres o exemplo e enviando a mensagem de que sim, é possível, e encorajando outras a também chegarem lá.

Então cabe a eu, a você, a todas nós fazermos nossa parte dando o exemplo, sendo corajosas, nos recusando a aceitar o status quo e educando nossos filhos e filhas de que devemos ter direito às mesmas oportunidades, porque somos todos iguais. Por mim, por você, pelas mulheres de Doha, da Índia, da Austrália, do Japão e de todo o mundo.

 



4 Respostas

Cleide Regina
Cleide Regina

Março 11, 2017

Amei.Isso mesmo Leticia temos que ser nós mesmos e mostrar ao mundo que juntas nós podemos mudar esse contexto.bjos linda

francisca do Socorro Mathias
francisca do Socorro Mathias

Março 10, 2017

Legal Letícia, você é mesmo corajosa. Mas não podemos desistir dos nossos sonhos.
Parabéns! Menina.

Ana Laura
Ana Laura

Março 10, 2017

Que lindo texto. Como uma brazuca que também está em terras estrangeiras, sinto muito orgulho de ver outra brasileira abordando esses temas e abraçando essas causas. Sinto bastante orgulho e emoção. Obrigada por compartilhar! ❤️

Camila Regina Carreiro
Camila Regina Carreiro

Março 09, 2017

Parabéns Letícia, seu trabalho é admirável e muito motivador! continue postando e inspirando a todos em busca de um mundo mais justo e igual!

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Guia de tamanhos

Caso você tenha alguma dúvida sobre o tamanho que deve comprar, pedimos que siga os passos abaixo para medir o seu pé, e então cheque nas tabelas abaixo o tamanho de calçado que corresponde ao comprimento do seu pé em centímetros. 

1. Em pé, coloque uma folha de papel debaixo do seu pé. Desenhe o contorno do seu pé com um lápis, conforme figura. 

2. Com uma régua ou fita métrica, meça o tamanho do seu pé, do calcanhar à ponta dedo mais comprido.

 

   SAPATILHAS
PAÍS TAMANHO

UK/INDIA

6

6.5

7

7.5

8

8.5

 

EUROPA

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38/39

39

39/40

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41

 

BRASIL*

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36.5

37

37.5

38

39

 

EUA

7

7.5

8

8.5

9

9.5

 

CENTÍMETROS (PÉ) 23.8 24.1 24.6 25.1 25.4 25.9

 

   MOJARIS
PAÍS TAMANHO

UK/INDIA

2

3

4

5

6

6.5

 

EUROPA

35

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37

38

39

40

 

BRASIL*

33

34

35

36

37

38

 

EUA

4

5

6

7

8

9

 

CENTÍMETROS (PÉ) 21,3 22,2 23 23,8 24,6 25,4

 

*Se você está vendo o site em português, a numeração já está convertida para a numeração brasileira.

*Nossas sapatilhas servem confortavelmente. As mojaris, no entanto, são um tipo de calçado naturalmente mais justo, pois de ajustam ao pé conforme o uso. 

*Esta tabela pode variar um pouco da tabela de outras marcas, uma vez que não há padrão internacional para tamanhos de sapatos. 

*Caso você ainda tenha dúvidas em relação ao seu tamanho, envie um e-mail para info@iamhappee.com, e responderemos o mais rápido possível. :) 

 

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