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Chenini - Uma Noite em Uma Caverna na Tunísia

por Leticia Sales agosto 30, 2019

experiência em uma caverna troglodita na Tunísia

Um dia, fuçando na internet, estava procurando acomodações na Tunísia. Me deparei com o anúncio de uma acomodação no AirBnB que ficava dentro de uma caverna em uma vila do século XI.
Não deu pra resistir, né?


Nessa vila moram apenas 123 famílias, em casas incrustadas dentro da montanha. A noite é tão silenciosa e serena que apenas os sons dos animais ecoam pela montanha. Paradoxalmente, encontrei pela internet um lugar totalmente alheio à modernidades e tecnologia.


Por não ser uma vila muito visitada, chegar até lá foi um sufoco. Pegamos um vôo de Tunis até Tozeur, no sul do país, onde aproveitamos para conhecer o Saara. O vôo atrasou várias horas (algo aparentemente comum no país) e chegamos de madrugada. Por causa disso, só pudemos ir atrás de passeios na manhã seguinte. Fizemos um tour incrível por oásis e dunas, e a intenção era pegar um táxi compartilhado ou ônibus no final da tarde e ir até o próximo destino, de onde partiríamos para essa vila troglodita, Chenini.

Acomodação em Chenini, uma vila troglodita na Tunísia

Nosso AirBnB em Chenini, uma vila troglodita na Tunísia


Acontece que a Tunísia não é um país muito visitado, especialmente o sul. As poucas informações que encontrei online mencionavam os meios de transporte, mas nenhum dizia que eles saem APENAS no período da manhã.
O jeito foi encontrar de última hora um motorista disposto a nos levar, que não cobrasse a fortuna que as agências de viagem pediam em euro aos turistas russos que passam pelo local.


Cruzamos um deserto de sal, várias pequenas vilas, dunas de areia, e açougues que vendem carne de camelo no caminho.
No fim, encontramos o Fethi, o motorista-anjo que nos acompanhou por 2 dias
Ele nos levou até a vila, voltou pra cidade dele e, no dia seguinte, dirigiu por 4 horas todo o caminho de volta para nos buscar e nos levar até Tunis, outro trecho de mais 6 horas de viagem, com uma parada em um enorme anfiteatro romano no caminho.


Um brinde a esse maravilhoso nascer do sol, a locais ainda remotos em um mundo tão conectado, noites silenciosas e ao Fethi, nosso anjo do deserto. Se alguém quiser conhecer o sul da Tunísia e precisar de um guia, comentem aqui que eu passo o telefone dele!

 

O CÉU ESTRELADO

O céu de Chenini, uma vila troglodita na Tunísia

Você consegue ver essa “nuvem” de estrelas no meio da foto?
E se eu te dissesse que essa nuvem é um pedaço da Via Láctea? E que essa foto foi tirada pelo Peeyush, com uma Nikon sem nada de muito especial, naquela mesma vila da foto anterior?


“Ah, não é possível! Impossível ver tanta estrela assim no céu!”
É possível sim. Basta encontrar um lugar onde a humanidade esqueceu de existir. Uma das minhas coisas preferidas dos lugares remotos e isolados é o céu estrelado.


Um céu desses ao vivo é tão lindo que não dá vontade de fechar os olhos pra dormir. Dá pra ver estrelas cadentes, galáxias e até satélites.
Fico olhando as estrelas mais brilhantes, aquelas que piscam em múltiplas cores, e me perguntando se é algum sol que explodiu em alguma galáxia distante. Há quanto tempo atrás essa estrela emitiu essa luz que eu consigo ver no céu? É como ver um pedacinho do passado, não é fascinante? O que existe lá em cima?


Poucas coisas trazem questões tão profundas quanto um céu estrelado.
Todas as noites, uma imensidão de estrelas brilha sobre você. Quando foi a última vez que você parou pra contemplá-las? 🌌🌠

 

O AMANHECER

Chenini, uma vila troglodita na Tunísia

Eram 6 horas da manhã. O frio gélido da montanha mal nos deixava acreditar que estávamos tão perto do Saara, no sul da Tunísia. Eu amo lugares onde parece que o tempo parou. Esse foi um deles.
Ali do outro lado, onde reluz o primeiro raiar do sol, são antigos depósitos de grãos. Ficam incrustados no meio da montanha, assim como a caverna troglodita onde dormimos na noite anterior.


Ao descermos para o café da manhã, passamos por uma casa onde uma família fazia azeite de oliva natural. Até hoje, na Tunísia, existem pessoas que usam a força dos camelos para mover prensas manuais que extraem o óleo das azeitonas pretas.


Parei e fiquei observando os carros que começavam a se movimentar lá embaixo. Um ônibus escolar apareceu e duas crianças entraram nele.
É curioso observar a rotina das pessoas. Mesmo em uma vila tão remota, onde restam poucas famílias, crianças constroem suas primeiras lembranças e memorias. No futuro, vão se lembrar com nostalgia dos dias em que desciam a montanha, cruzavam com os camelos, sentiam o cheiro de azeite fresco e iam para a escola.




Leticia Sales
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